Recy Taylor: conheça a mulher citada por Oprah no Globo de Ouro!

Domingo passado aconteceu o Globo de Ouro 2018. Oprah Winfrey recebeu o prêmio honorário Cecil B. DeMille e, ao agradecer pelo prêmio, fez o discurso mais emocionante da noite e também entrou para a história como a primeira mulher negra a receber esse prêmio.

No discurso, Oprah fez uma emocionante homenagem a Recy Taylor e a todas as mulheres que lutam por justiça em casos de violência sexual.

Para quem não conhece o caso, Recy era negra e, aos 24 anos, foi estuprada por seis homens brancos, que a sequestraram na saída da igreja. Ela estava com o filho pequeno, voltando para casa, quando foi abordada por sete homens armados num carro. O bando fez ameaças e acabaram levando-a para um matagal onde seis deles cometeram o estupro.

A violência foi brutal e os homens chegaram confessar o crime, mas jamais foram presos. Recy denunciou os agressores e não foi difícil identificar o carro em que eles a levaram. O motorista, Hugo Wilson, foi chamado a depôr e delatou os outros seis, ele foi o único que não cometeu estupro. Ao final, Hugo teve que pagar 250 dólares de multa e nada mais foi feito.

O caso de Recy gerou grande revolta entre a comunidade negra e ela foi amparada pela Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor. Quem esteve à frente do caso foi a lendária ativista Rosa Parks, que é tida como um importante nome do movimento negro nos Estados Unidos. A partir daí, o caso rapidamente ganhou destaque e os estupradores foram levados a julgamento. Composto apenas por homens brancos, o juri decidiu que não haviam provas o suficiente.

As campanhas por justiça ganharam ainda mais força depois disso e o governo do Alabama sentiu-se pressionado a intervir. Um ano depois do crime, um dos agressores, chamado Joe Culpepper, confessou tudo. Os outros acabaram relatando que haviam transado com Recy, mas alegaram que o sexo foi consensual, chamando-a de prostituta. Isso foi o suficiente para que o juri mais uma vez inocentasse o bando.

Naquela época, a segregação racial ainda era prevista por lei nos EUA. Com isso, os negros eram oficialmente tratados como uma subespécie, especialmente na região sul, onde fica o Alabama.

Somente em 2011, 67 anos depois do crime, o governo do Alabama fez um pedido de desculpas a Recy Taylor. Em retratação oficial, o Estado reconhece ter falhado na punição dos agressores. Mesmo assim, ela viveu uma vida inteira sob o horror da impunidade e seus agressores não sofreram qualquer consequência por aquele estupro coletivo.

O crime aconteceu no Alabama, em 3 de setembro de 1944, mas o caso ganhou certa repercussão em 2017, quando o documentário sobre Recy foi lançado e ela veio a falecer logo depois. A americana morreu em 28 de dezembro, pouco antes de completar 98 anos.

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